Posfácio de Sílvia Galvão Dias:
(Professora)
«E depois?»
Sou do tempo em que as avós eram livros cujas páginas se folheavam ao som da expressão mal articulada de criança, os olhos na colher a caminho: «E depois?»
A maioria das histórias não crescia no papel… contava-se. Eram contos ditos com vagar, carinho e paciência, para que alimentassem mais. E a boca também se fazia vagarosa para que as histórias se demorassem e se seguissem — uma após a outra.
Nunca as queria acabadas, porque, apesar de serem as mesmas, tinham sempre algo novo: palavras acrescentadas pela imaginação de cada dia.
E, ainda que se repetissem, era preciso estar muito atenta às histórias e esperar que todas as palavras se dissessem para que se percebessem melhor. Nem tudo era o que parecia, e a essência das personagens só se revelava quando se sabia esperar.
Para mim, as histórias terão sempre um pouco da magia das avós-livros. Continuam a revelar-se, palavra por palavra, a quem as escuta ou as lê. Como esta: o Tratak, as fadas, o Dominó, o Tetris e o próprio Pai Natal fizeram desta história um grande malentendido, pois as palavras ora se escondiam, ora escondiam mistérios. Mas a escuta desvelou tudo, e a amizade, a entreajuda e a união construíram um final feliz.
Lembrando a voz das fadas, presta muita atenção, que só direi isto uma vez, ou duas, ou três: são as palavras bem ditas e escutadas — e os bons valores — que fazem nascer as histórias e as completam com todos os «E depois?» que, pacientemente, aguardam resposta.
E a ti, que agora me escutas ou lês, pergunto:
E depois? Como contarás esta história a seguir?



Sílvia Galvão Dias
Posfácio
Miriam Cabral
Cantora
Joana Pereira
Ilustradora
Dinis Cabral
Músico
